quarta-feira, 26 de julho de 2017

A Mensagem


Como falar de Deus o tempo todo?


Uma das coisas mais temidas pelo crente do século XXI é o evangelismo, por vários motivos me parece que grande parte de nós não está segura suficiente para começar uma conversa a respeito da salvação e do evangelho de Cristo, motivos que vamos deixar de lado neste texto para que possamos de forma prática e objetiva ir direto ao centro do que o título propõe. Mas não antes de relembrarmos o que de fato significa evangelismo e missão no cristianismo.

Duas passagens me vem a memória quando penso em definir evangelismo e missão num único sentido. Primeiro que somos chamados por Cristo a viver esta nova vida, onde somos tirados da morte para a vida, a vida verdadeira. Jesus ensina com muita sabedoria que “Não faz sentido acender uma lâmpada e depois cobri-la com uma vasilha ou escondê-la debaixo da cama. Pelo contrário, ela é colocada num pedestal, de onde sua luz pode ser vista pelos que entram na casa. Da mesma forma, tudo que está escondido será revelado, e tudo que está oculto virá à luz e será conhecido por todos.”. (Lucas 8.16-18 – NVT) e o mais engraçado neste texto é que segundo a divisão bíblica estabelecida pelos tradutores ela não faz sentido algum! Jesus está falando no texto anterior sobre sementes e solos e do nada um novo título separa o que ele continua falando como que se fosse uma outra ocasião, mas o mais interessante neste texto é que Jesus está falando sobre o que nós somos e como devemos viver!

Em outras palavras não faz sentido receber tamanho conhecimento da verdade, que se assemelha a luz em meio à escuridão e guardar isso para nós mesmos, ou esconder dos que ainda estão na escuridão! Jesus está dizendo que se for para viver com este conhecimento oculto de nada adiantou todo esforço em aprender. Sendo assim, nós somos a lâmpada e este fogo que está aceso é o conhecimento vindo do Espírito Santo. Em outro texto Jesus chama seus discípulos para que eles continuem o que Ele começou aqui na Terra e faz isso de forma tão clara que seguimos este chamado até o dia de hoje e o faremos até que ele volte para levar sua igreja, me refiro ao texto:

Jesus lhes disse: “Vão ao mundo inteiro e anunciem as boas-novas a todos. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem se recusar a crer será condenado.” (Marcos 16.15-16 – NVT).
Tais mensagens afirmam que a vida do discipulo é ser luz no mundo, é fazer conhecer as boas novas de Cristo. As duas coisas se resumem em apenas uma, apresentar um outro caminho para o homem, uma solução para o sofrimento causado pelo pecado e uma nova morada quando Ele mesmo vier nos buscar. A mensagem é clara, “ide”. Não se refere a um programa de sábado ou a uma programação especial, ela indica o tempo todo, daqui para frente ou pelo resto da vida. Afinal Jesus é enfático quando diz apenas o ide! Ele não coloca qualquer outra regra senão que isso deve ser aplicado agora e sempre. Aqui mora uma missão para o resto da vida do homem salvo por Jesus e de certa forma uma pequena armadilha, uma falha humana na verdade, que faz com que este ide seja feito de forma a fazer as pessoas categoricamente negarem Jesus e talvez seja esse o motivo de tantos crentes terem medo de começar.

Em uma análise rápida, a armadilha que grande parte dos crentes caem é se concentrar na parte final do versículo 16 de Marcos 16 e agirem apenas como condenadores deste mundo como se a nossa mensagem fosse antes de condenação e depois de arrependimento. Esta inversão faz com que a mensagem do evangelho se torne um fardo para quem ouve. Ler o versículo na ordem correta fará você perceber o quanto evangelizar é fácil. Jesus pede antes de tudo que seja anunciado as suas boas novas! Mas você consegue lembrar quais são essas boas novas?

Quando Jesus iniciou seu ministério saía pelas ruas dizendo: “Arrependam-se, é chegado o Reino dos Céus” ou como traduzido na NVT “Depois que João foi preso, Jesus foi para a Galileia, onde anunciou as boas-novas de Deus. “Enfim chegou o tempo prometido!”, proclamava. “O Reino de Deus está próximo! Arrependam-se e creiam nas boas-novas!” (Marcos 1.14-15). As boas novas de Jesus era uma solução para a humanidade, elas soavam como “arrependa porque Deus está te oferecendo o céu” diferente do que vemos hoje que poderia ser reduzido a “Arrependa porque você vai para o inferno”. Está não é uma mensagem falsa, de forma alguma, mas se Cristo não começou assim, porque começaremos? Ele quer que você seja luz para a humanidade que está perdida no pecado e não que você saia apagando o pouco de luz que resta por aí. Caso contrário ele mesmo viria trazendo uma má notícia do evangelho! Por isso é tão difícil pensarmos em evangelizar, porque logo que temos a ideia já pensamos em mostrar às pessoas que elas vão para o inferno, diferente do que Jesus fez! O que se espera de um crente é que ele apresente a possibilidade de que outras pessoas façam parte do céu! Para isso claro, exige-se o arrependimento, mas o único que pode fazer isso é o próprio Espírito Santo e não o discípulo. E esta é uma das chaves do evangelismo.

Levar as boas novas não significa sair convertendo todo mundo no mesmo dia. Diferente do que se pensa muitas pessoas demoram anos para serem alcançados pelo poder do Espírito Santo a fim de leva-las de fato ao arrependimento, mas tudo isso começa com uma semente enviada por Deus através de um dos seus discípulos e o eu quero deixar claro que você é um desses que carregam a semente, não de converter as pessoas, mas de plantar esta semente que dará frutos na hora certa. E aqui mora outro mito evangélico: Eu preciso fazer algum curso de teologia para isso?

Óbvio que não! O que se requer de um evangelista é que ele seja discípulo de Jesus e conheça os seus ensinos, o que você quiser colocar no currículo fará de você uma pessoa melhor, mas isso não pode alterar em nada no resultado porque ele depende exclusivamente do chamado de Deus para quem ouve. Podemos convencer temporariamente alguém com palavras sábias, com estudos e provas, mas sem uma conversão verdadeira e regada de arrependimento ela esquecerá tudo que ouviu em pouco tempo. Abandono todo o estudo teológico então? Nunca! Com um ensino básico conseguimos agir como discípulos de Cristo evangelizando (lembrando que o básico é conhecer a bíblia), com um ensino avançado conseguimos ajudar outros discípulos a compreender e prosseguir nesta caminhada. Para aquele que ainda não foi alcançado por Deus o ensino básico é aplicado de forma muito mais eficaz, mas isso não excluí o ensino avançado, Deus usa ambos na hora em que lhe convém e este é um mistério que apenas ele conhece. Podemos ver um Jesus que ensina coisas avançadas com uma linguagem simples, mas que em alguns momentos abandona estas palavras simples para ensinar os discípulos e direciona-los melhor.

E como fazer isso e ser ouvido? Sem ser aquele crente que pressiona, que aperta e que provavelmente não será ouvido por ninguém? Cabe deixar registrado aqui que eu mesmo já fui este tipo de crente e assisti pessoas rejeitando o que estava falando por se tratar de uma mensagem pesada, longa ou que pressionava a uma decisão precipitada.

Isso acontece porque não queremos evangelizar. Nós queremos ver os frutos nascer sem regar a terra, queremos colher e não trabalhar. Isso quando não temos medo de sequer arriscar jogar uma semente e isso faz com que sejamos mal vistos dentro de uma sociedade que parece estar muito bem armada contra este tipo de pessoa, a culpa não é deles… é nossa! Existe uma maneira muito simples de começar uma vida de evangelismo, muito mais simples do que você imagina. Se trata do evangelismo em gotas, ou em pequenas doses; simples, que traz uma possibilidade de alívio, mas que não pressiona ao arrependimento deixando ele para o Espírito Santo; e ela pode ser feita em duas fases:


Com Ações: Deixe a pessoa perceber em você algo diferente. Aja com amor e misericórdia e aprenda a fazer bom uso dos frutos do Espírito, os quais são: “Amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, mansidão e domínio próprio”. (Gálatas 5.22 – NVT). Nosso exemplo mudo faz com que muitas pessoas fiquem curiosas em saber porque somos assim e isso pode abrir uma oportunidade de comunicar a salvação e a presença de Jesus em nós.

Com Palavras: Aqui mora um pequeno segredo. Não precisamos montar um sermão toda vez que sentimos o desejo de falar em Deus. Podemos criar em nós mesmos um costume de falar dEle sempre e de forma discreta, sem que paremos outras pessoas para ouvir. Durante o nosso dia-a-dia tantas coisas acontecem que podemos atribuir a Deus, então porque não dizer? Um “graças a Deus” ou um “foi Deus quem fez” cria uma atmosfera onde o nome de Deus está sempre presente e fazendo isso as pessoas que estão à volta são levadas a pensar em Deus! E quando elas perceberem que Deus faz realmente parte da sua vida irão começar a se interessar em saber mais sobre este Deus!

Quando você menos esperar verá que estas pessoas estão atribuindo a Deus algumas coisas em na vida delas também. Começará no seu convívio social, em breve eles estarão usando em casa, em outras partes e a semente da salvação estará prestes a dar fruto! A partir deste momento não podemos fazer nada além de continuar, atribuir nossas felicidades a Deus e em nossas lutas afirmarmos que Ele nos ajudará. É como uma corrente, afinal até o pronunciar do nome de Deus tem poder! Você poderá me questionar se fazendo assim não incentivamos as pessoas a usarem o nome de Deus em vão, eu lhe garanto que nenhum resultado pode ser controlado ou definido pelo homem quando se trata de Deus, não somos nós que fazemos alguém usar o nome dEle em vão, isso vem de quem usa. Nosso exemplo pode fazer com que estas pessoas percebam onde Deus está inserido na sua vida pessoal.
O que estou propondo não é apenas uma teoria, tenho aplicado a minha vida. Atribuído a Deus aquilo que ele faz, às conquistas que ele me dá. Afinal percebemos que tudo que é bom vem de Deus e que nós mesmos não conseguimos nada de bom agindo por conta própria. Afirmando para outras pessoas esta verdade nós declaramos Ele cuida de nós e quando aplicamos isto a um problema de outra pessoa abrimos a ela a possibilidade de salvação, a chance de perceber que Deus se importa com ela também e tem uma outra vida para oferecer. Isto faz de Deus o que ele é, acessível e pronto para ouvir. Faz de Jesus o que ele mesmo disse de si mesmo: “eu vim para os que estão feridos…”

Mesmo não estando em outro país ou não separando sua vida exclusivamente à missão nós temos a responsabilidade de trazer a luz aqueles que padecem nas trevas, como luz na escuridão. Levando a oportunidade de conhecer um outro caminho, uma nova vida que nos leva à luz, que trata de nossas feridas e nos refaz. Sem que isso se torne um peso para quem ouve, de semente em semente, como pequenas gotas do evangelho da salvação.


Comece agora mesmo. Onde estiver, faça-se ouvir o que Ele tem feito por você e estará plantando uma semente de Deus que fará a diferença na vida de muitas pessoas.

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