domingo, 12 de março de 2017

Para que viemos? - Série: Palavras do Mestre 07

Para que viemos?

Um dos trechos que mais gostei de escrever em “A quarta camada” ou como está entrando no blog agora “Crônicas de Zephira” retrata o momento em que nosso personagem principal ou a personagem principal (no caso de Crônicas de Zephira) recebe parte de sua missão após ser chamada por Cristo para a salvação. Com uma missão de busca e esclarecimento foi definido que todos os personagens da história estão lá para fazer com que a mensagem do evangelho fosse pregada a fim de que outras pessoas fossem chamadas por Jesus. Isso baseando-se no que vemos nos evangelhos, em atos e em todas as cartas escritas para as igrejas que mostram o quanto Jesus deseja espalhar as boas novas do evangelho, não importando o quão difícil isso se pareça. O pensamento de Jesus faz muito mais sentido do que muitos tem aprendido por aí, e em seus últimos momentos ele parecia um pouco mais preocupado com estas informações.

Mateus registra um tipo de ensino crescente no final de seu livro, nele Jesus ensina como seria os últimos dias falando sobre a ressurreição dos mortos, a perseguição da igreja, os últimos acontecimentos que abalariam a própria igreja e alguns ensinos sobre a vigilância constante durante esta época. O mais interessante é que ele estava se referindo a esta época, mesmo que aqueles ensinamentos também fossem aplicados anos mais tarde após sua ressurreição. Vemos hoje como estes ensinos fazem total sentido. As coisas vão caminhando a passos largos para o fim e Jesus não nos deixou sem informações. As informações que estudaremos hoje tratam do motivo pelo qual eu e você fomos chamados. Afinal para que estamos aqui hoje? Sei que a maioria de vocês irá dizer que estamos aqui para adorar ao nosso Deus, com estas mesmas palavras (as mesmas de sempre). Porém há um detalhe em ser cristão não apenas ignorado pela igreja do nosso século, mas rejeitada pela grande parte de seus membros, e isso representa um enorme perigo!

O mestre dos mestres nos ensina sobre nossa missão aqui na terra com uma parábola que além de difícil compreensão revela severidade naquilo que Deus espera de cada um de nós, isso é tão sério que divide opiniões em todas as partes do mundo, principalmente sobre o resultado final de cada parte da parábola, nós, pelo contrário somos levados a entender e crer naquilo que é registrado sobre nosso Senhor. Certa vez ele começou este ensino assim:

“E também [o Reino de Deus] será como um homem que, ao sair de viagem, chamou seus servos e confiou-lhes os seus bens. ” (Mateus 25.14 – NVI)

Após alertar os discípulos para que não estivessem despreparados no dia de sua vinda ou não se cansassem de esperar, Jesus volta a retratar sua morte e ressurreição em mais uma parábola. Agora ele se mostra como um homem que partiu de viagem e deixou seus bens com três tipos diferentes de servos. Antes de continuarmos gostaria de lembrar que o texto mostra que ambos servos eram seus! Não eram desconhecidos, eram servos a seu serviço. Isso é importante porque a finalização dessa parábola tem sido aplicada a pessoas que não conheceram o evangelho sempre que é citada, enfim, este homem “precisou” fazer uma viagem e teve de deixar seus talentos com três servos. Cada um recebeu uma quantidade diferente, mas a nenhum deles foi reduzida a parcela de responsabilidade.

A um deu cinco talentos [o equivalente ao salário de cem anos]; a outro dois; e a outro um – a cada um de acordo com a sua capacidade. E então partiu.” (Mateus 25.15 – Bíblia Judaica Completa [BJC])

A parábola continua até o versículo 30 e vemos que cada um dos três receberam respectivamente cinco, dois e um talento. Usado aqui para representar o peso e a responsabilidade do evangelho entregue por Jesus a nós, que fomos chamados e despertos para a salvação. E sua preocupação foi justamente sobre o que faríamos com este talento. O que estamos fazendo com o que recebemos de Jesus? Os dois primeiros servos fizeram com que sua parcela fosse duplicada. Eles negociaram e tiveram um resultado excelente para o dono daquele “dinheiro”, enquanto um que recebeu apenas um talento agiu de maneira inusitada e ao mesmo tempo parecida com que temos hoje. Ele simplesmente enterrou o que recebeu, não dividiu com outras pessoas e não negociou com ninguém, ou seja, ele estacionou no tempo justificando o medo.

A seriedade de Jesus é tão grande que vemos aqui ele afastando, lançando ao inferno, um servo que por medo não fez nada com o que lhe foi confiado. Este mesmo medo faz com que pessoas ainda hoje estacionem na fé. Recebem muito ou até pouco e não tem coragem de fazer algo útil para o reino de Deus. O que o mestre quer nos ensinar é que precisamos fazer com que aquilo que Deus deixa conosco seja repassado para outras pessoas, para que dessa maneira o seu próprio reino cresça, é o que chamamos de evangelismo e missão em nossos dias. Bom, sabemos que Deus nos dá muito mais do que merecemos e agora ele nos deixa esta mensagem. Não recebemos apenas para nós, precisamos fazer com que isso cresça a ponto de que outras pessoas também tenham acesso, digo isso sobre todas as coisas que Deus nos deu, nos dá e nos dará. Temos esta responsabilidade com o evangelho, nós, não missionários formados ou pessoas estudiosas, todos nós fazemos parte desse movimento sobre o qual seremos também cobrados. Talvez você esteja confuso sobre como e o que fazer, iremos analisar dois textos bíblicos adicionais para ver como Ele mesmo fazia e como Ele mesmo pede que façamos.

A Missão do mestre

A própria missão de Jesus nos dá uma direção quando o assunto é cumprir aquilo que ele mesmo espera de nós, este ponto é relevante e importante, principalmente em nossos dias em que várias mensagens diferentes são pregadas e outras vão sendo criadas e desenvolvidas para alcançar novas pessoas, porém quase nenhuma delas representa aquilo que Ele mesmo fez, vemos isso descrito por Marcos da seguinte forma:

14 Depois que João foi preso, Jesus foi para a Galiléia, proclamando as boas novas de Deus. 15 "O tempo é chegado", dizia ele. "O Reino de Deus está próximo. Arrependam-se e creiam nas boas novas! " 16 Andando à beira do mar da Galiléia, Jesus viu Simão e seu irmão André lançando redes ao mar, pois eram pescadores. 17 E disse Jesus: "Sigam-me, e eu os farei pescadores de homens". (Marcos 1.14-17 - NVI)

A primeira mensagem de Cristo ao mundo foi o “tempo é chegado; O Reino de Deus está próximo; arrependam-se” e representa uma diferença enorme com o que vemos para hoje atrair novas pessoas. Ou seja, Jesus apenas informa que o Reino de Deus estaria próximo e que os ouvintes deveriam se arrepender para entrar nele enquanto que o mais comum hoje em dia é apresentar vantagens para entrar nesse “reino”, sem nenhum apelo para o arrependimento a mensagem da cruz hoje é vendida com marketing para que as pessoas creiam que estão entrando numa espécie de pirâmide espiritual. Precisamos entender também que o que Jesus estava dizendo sobre o tempo que é chegado se refere ao tempo em que Deus estaria com eles para reinar. Era o que temos hoje sobre a volta de Jesus. Jesus estava dizendo que o tempo de Deus reger o mundo como antigamente estaria próximo, ainda que eles não compreendessem por completo que isso não seria nesse mundo e nem naquele mesmo dia. Quero dizer que a mensagem de Jesus era desde o inicio para que arrependêssemos para entrarmos no céu, isso e apenas isso.

Vemos também que logo após a mensagem do arrependimento ter sido pregada Jesus já chama pessoas para pescar outras pessoas! Mas onde estão as vantagens Jesus? Porque eu deveria largar os meus afazeres para “pescar” outras pessoas? Não houve nem sequer uma pergunta, ao ouvir a voz do mestre Simão e André o seguiram e obedeceram. Todo o restante de sua mensagem, de seu evangelho demonstrou que ele não visava trazer benefícios aqui. Porém ele garante a entrada no Reino para aqueles que esperam até o fim. Ser cristão exige desde o início coragem! E decisão! Claro que recebemos tudo isso quando somos libertos, quando ele mesmo nos chama das trevas passadas para a luz. O que vamos fazer com estes tesouros pode sim definir muito o futuro.

Talvez você pense que vivemos um tempo diferente de quando Jesus começou a pregar, mas isso é muito irrelevante. Quando ele mesmo saiu anunciando as novas do evangelho João acabara de ser preso e após um curto período de tempo morto por ter denunciado o pecado de Herodes. Estamos falando de tempos perigosos para o evangelho de Jesus. Talvez muito mais do que vivemos hoje. 

Após sua morte e ressurreição todos os discípulos foram perseguidos e mortos, eles não teriam motivos para ter coragem nos tempos de Jesus, não fosse o conhecimento que eles tinham sobre o efeito da pregação do evangelho nunca teriam desistido de tudo para se entregar a uma missão assim. Você sabe o que é isso? Já parou para pensar se esses mensageiros sabiam algo que você não sabe, que provavelmente seria o motivo de eles terem entregue tudo assim, sem questionar?

Portanto caso você ainda tenha dúvida, Ele nos chama para pregar as boas novas do céu. Significa pregar que em breve ele virá nos buscar e estaremos todos com ele para sempre. Uma vida com Deus sem fim! Esse era o evangelho puro e verdadeiro que Jesus morreu por pregar, pode não parecer mas crer que Jesus volta implica em diversas coisas, começando pelo fato de que para estarmos com Ele é necessário estarmos desligados de outras coisas que poderiam atrais a nossa atenção mais do que precisamos. E essa problemática faz com que muitas pessoas não queiram estar com ele e aos poucos desistem do céu.

Ide, de graça e pela graça

Sabemos o que Jesus pregava e consequentemente o que devemos pregar, o segundo maior detalhe que resolve o “O que, como e onde” se refere a como fazer o que ele mesmo nos ensinou, para isso vamos usar um dos trechos perdidos de Mateus, onde Jesus estava ordenando doze discípulos para que fossem pregar as boas novas do Reino, em suas palavras:

"Yeshua enviou os doze com as seguintes instruções: "Não entrem no território dos goyim [gentios ou pagãs], nem entrem em qualquer cidade Shomron [Samaria ou Samaritana], em vez disso, vão às ovelhas perdidas da casa de Yisra'el. Por onde forem, proclamem esta mensagem: "O Reino de Deus está próximo", curem enfermos, ressussitem mortos, purifiquem afligidos por *tzara'at, expulsem demônios. Vocês receberam de graça, portanto deem sem pedir pagamento." (Mateus 10.5-8 - BJC)

Uma mensagem rodeada pela graça e uma salvação completamente entregue pela graça de um Deus que teria todos os motivos para dar um reset na sua criação precisa por obrigação alcançar outras pessoas completamente de graça, exceto quando há custos de produção. Digo isso porque muitos não crentes dirão sobre os valores de coisas cristãs como bíblias, hinários e etc.. Estamos nos referindo à mensagem, às boas novas desse Reino. Estas precisam ser totalmente entregues, Jesus disse também sobre milagres e favores, ambos devem ser gratuitos quando estes vêm do Reino de Deus. Sabemos que outras mensagens e outros milagres são cobrados, são criados shows da fé para arrecadar altas quantias em dinheiro e todo o movimento chamado “espiritual” em um ambiente assim é cobrado, mas estes não são os mesmos pregados por Jesus. Ele ensina que devemos falar do amor Deus, chamar as pessoas ao arrependimento para entrarem em seu Reino e se precisar fazer alguma coisa, que seja feito de graça. Assim como ele mesmo fazia.

Certo dia vi um exemplo dentro do ônibus, um senhor por volta dos setenta anos parou ao lado de uma jovem e começou a conversar com ela, pude ouvir pouco, mas fiquei impressionado. Ele dizia sobre como Deus nos ajuda, como nos faz bem e algo sobre o que ele tinha para nossas vidas. Esse tipo de mensagem, direcionada a uma pessoa pode não parecer muito, mas aquela jovem não dormiu naquele dia sem pensar em Jesus. E isso faz com que desejemos ele e pode fazer com que ele nos chame na hora certa.

Sabemos de todas as dificuldades para falar de Deus em nosso século. Aos poucos a religião se torna algo antigo, ultrapassado e pertencente a pessoas não evoluídas. São essas imagens que o mundo implantará sobre a religião mesmo, fazendo com que o novo mundo se afaste ainda mais da mensagem do evangelho e cada vez mais se volte para si ou para um outro propósito carnal, humano e temporário. Mas não era diferente de quando Jesus nos ensinou estas coisas, as pessoas também brigavam por outras mensagens e ideologias. Eram perseguidos por dizer a verdade e todos foram mortos por isso. Mesmo assim o ensino do mestre chegou até mim e você, e precisa chegar até outras pessoas o quanto antes. Temos irmãos que ainda não foram chamados, pessoas que ainda não estão despertas e aguardam o nosso cumprimento do que o Mestre nos ordenou.

Portanto não tenhamos medo, aliás, temamos aquele que nos enviou que, apesar de seu enorme amor para nos chamar à salvação nos deu a simples, mas importante missão de fazer com que essa mensagem chegue até outras pessoas, multiplicando assim o que nos foi confiado. Entenda esse capítulo como mais um dever de casa e não tema os resultados, apenas busque trabalhar para que isso aconteça, seja hoje ou em outra época, precisamos apenas estar dispostos a fazer com que a mensagem chegue, o resultado não depende mais de nós.

Busquemos assim as ovelhas perdidas do nosso bom pastor!



*Observação: tzara'at: zaraat (em hebraico: צרעת, e numerosas variantes de transliteração em Português incluem tzaraas, tsaraas e tsaraat) é uma condição desfigurativa referida nos capítulos 13-14 de Levítico. Tzaraat afeta tanto objetos animados como objetos inanimados. A Torá examina que o tzaraat que aflige o homem, vestimentas e casas. Como não existem sinônimos de tzaraat em outras línguas, a Septuaginta, a primeira tradução da Mikra destinada para os gentios, deu uma tradução de lepra e tem sido consequência traduzida como hanseníase (com a qual lepra cognata) pela maioria das bíblias cristãs. Alguns sugerem que qualquer conexão entre tzaraat e hanseníase é completamente errada, porque tzaraas afeta não apenas as pessoas, mas também vestimentas e casas. (https://pt.wikipedia.org/wiki/Tzaraat)

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