domingo, 25 de dezembro de 2016

O reflexo do perdão - Série: Palavras do Mestre 02


O reflexo do perdão


Tenho uma confissão seríssima a fazer e tenho certeza de que posso fazer hoje aqui neste texto porque sei que acontece com todo mundo. Já cometi pecados lúcidos, se posso assim os chamar. Fato é que eu já cometi alguns pecados sabendo que era errado, querendo não fazer, mas sem forças para resistir o mal do pecado.

De fato todos nós uma hora ou outra deixamos nosso lado carnal falar mais alto, não importa quem você seja ou o quanto você saiba. Sua carne às vezes grita pelo erro, parece impossível resistir e cede à vontade de cometer algo errado. Acho engraçado quando vejo cristãos sem essa consciência e carregando um perfil de santo ao extremo, realmente a gente se surpreende algumas vezes…

Certa vez, durante um culto de estudo especial sobre salvação e pecado por pouco não fiquei louco com a ideia de por muitas vezes ceder ao pecado e pelo fato de que isso poderia me levar direto ao inferno, mesmo que eu desejasse imensamente não ser pecador como sou. Alguns estudos, principalmente dirigidos por pessoas erradas nos carregam de culpa e ressentimento e a vida cristã se torna um problema. Um problema que muitos preferem não carregar. Mas algum tempo depois conheci a graça de Deus e esse poder indescritível de nos perdoar sempre que clamamos por ele e hoje tenho a consciência limpa porque sempre, sempre mesmo estou com ele.

Conto a ele tudo que eu fiz de errado, tudo que eu não poderia fazer, mas infelizmente fiz. E ele sempre me perdoa, não porque eu nunca mais vou pecar, mas porque ele conhece o meu coração e sabe o que se passa na minha mente. E ele faz isso com você também…
Nosso grande Mestre falou muito sobre erro, mas esse capítulo eu quero falar sobre a consequência ilógica do erro, seja divino ou humano. Vamos falar sobre perdão! Digo ilógico porque aos nossos olhos, humanos e fracos, o perdão não faz sentido, não como ele é exigido nas palavras de Jesus. Antes de continuarmos com as palavras do Mestre precisamos definir um ponto em comum de todo ser humano e nas palavras do apóstolo Paulo encontramos a definição perfeita quando nos diz que “pois não há diferença, visto que todos pecaram e todos estão privados da glória de Deus” (Rm 3.22b-3)

O ponto de equilíbrio entre todos os seres humanos não poderia ser pior, todos sem exceção pecaram e estão afastados de Deus e só podem se aproximar pela misericórdia e justificação de Deus realizada através de Cristo Jesus e naqueles aos quais ele mesmo já anteriormente despertou para a salvação. Mesmo assim nosso ponto de impacto é que somos pecadores e nossa natureza busca sempre o mal, mesmo que não gostemos da ideia. O fato de sermos justificados pela graça nos dá certo alívio quando pedimos perdão, mas de maneira nenhuma é uma justificativa para cometermos pecados por vontade própria, o mestre não é uma criança, ele conhece muito bem os seus pensamentos. Então, onde poderemos chegar com esta introdução? Certa vez Jesus ensinando aos seus discípulos contou uma parábola que provavelmente foi como um tapa de luva (de tijolos) no rosto de muitas pessoas, ele começou assim:

Por isso o reino dos céus pode ser comparado a certo rei que quis ajustar as contas com os seus servos. E começando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que devia dez mil talentos” (Mt. 18.23,24)

A parábola conta que um rei resolveu acertar as contas com seus servos e no meio havia um que de forma nenhuma poderia pagar pelos “dez mil talentos” que equivalia a cerca de trezentos e cinquenta mil quilos de prata. Pasmem! Aquele homem devia ao rei nada menos que 350.000 quilos de prata!
Logicamente ele não tinha condições de pagar e Jesus estava neste exato momento nos colocando como aquele homem diante de Deus. Nossa dívida com ele era imensurável, não apenas a minha, mas a sua também. Acontece que aquele homem muito arrependido clamou ao rei pelo perdão, E pela sua graça, ou seja, sem merecer, ele foi perdoado de toda sua dívida. “Então o senhor daquele servo, movido de íntima compaixão. Mandou-o embora e perdoou-lhe a dívida.” (Mt. 18.27). Pela graça daquele senhor um servo com uma dívida impagável foi perdoado e liberto, apenas por ter se arrependido e buscado perdão. E tudo teria dado certo, caso ele não tivesse encontrado no caminho de volta um conservo que lhe devia algo equivalente ao pagamento de cem dias de trabalho, nada comparado ao que acabara de ser perdoado.

O que o primeiro servo fez reflete muito bem o que nós fazemos e o que era feito nos tempo de Jesus. Já vimos que nosso mestre veio ao mundo para nos ensinar um novo caminho e que esses ensinamentos nem sempre causavam uma boa impressão, este era mais um desses momentos. Colocando-nos como aquele primeiro, Jesus nos mostra que fomos perdoados de uma dívida imensa e muitas vezes não sabemos perdoar pequenas dívidas, compare trezentos e cinquenta mil quilos de prata a cem dias de seu trabalho e você terá uma noção de como Deus nos vê.

A pergunta lógica de Jesus com esta parábola é a seguinte: Como pessoas que deviam tanto e foram perdoadas não conseguem perdoar dívidas tão pequenas? É lógico não perdoar pessoas e buscar todas as noites o perdão divino? Sensato eu sei que não é! Mas nós fazemos isso mais do que parece.

Em meio ao caos provocado pela humanidade após a queda, um mestre sábio e santo, um Deus, nos aparece perdoando todas as nossas dívidas. Na verdade ele não simplesmente nos perdoou, ele fez com que Jesus pagasse por todas as nossas falhas. Naquele dia muitas pessoas que o ouviam ainda não entendiam direito o que ele estava dizendo, mas a mensagem do mestre a respeito de como tratar pessoas que nos magoam e falham conosco ficou tão clara quando a luz do dia. Devemos perdoar sempre! E realmente não importa sobre o que estamos lidando, nosso compromisso é sermos espelhos da misericórdia e da graça de Deus, ou aceitaremos as palavras finais do nosso mestre como realidade absoluta sobre o fim dos nossos dias. “Você não devia ter tido misericórdia do seu conservo como eu tive de você? Irado, seu senhor entregou-o aos torturadores, até que pagasse tudo o que devia. ‘Assim também lhes fará meu Pai celestial, se cada um de vocês não perdoar de coração a seu irmão” (Mt. 18.33-35 - NVI).

Esta não foi a única vez que Jesus falou sobre perdão. Além de ser exemplo em vida ele ensinou outras vezes e inspirou os apóstolos a ensinar o mesmo após sua ressurreição, e até mesmo os profetas já haviam revelado detalhes sobre esse humanamente incomparável amor e perdão. Isaías citou que “ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe a paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados” (Is.53.5). João declarou “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo!” (Jo. 1.29).

Deus quer que demonstremos ao mundo o mesmo amor que foi usado conosco, quando fazemos isso a pessoas ainda não crentes estamos até mesmo evangelizando. Por isso a nossa responsabilidade é maior ainda porque com nosso exemplo aplicado podemos mostrar ao mundo que eles também têm uma chance, eles também têm esse perdão gratuito. Basta ouvir a voz do mestre, sentir que ele ama cada um que sofre, que lhe deve e que não tem mais chances de melhorar. Quão grande é essa oportunidade de sermos como Jesus, capaz de perdoar pecados imensos! De agirmos com tamanha graça e amor ao nosso semelhante.

Que saibamos aproveitar essa dádiva de Deus para que outras pessoas sejam tocadas pelo poder do seu Espírito Santo, amém.




(correção interna - 28/02/2017)

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